Quando os computadores começaram a ficar populares, muitos vaticinaram que "aquelas máquinas" iriam fazer com que muitas
pessoas se isolassem, deixando de conviver umas com as outras. A
sociedade seria prejudicada pelo fato dessas pessoas poderem realizar
uma série de tarefas no isolamento de seus lares ou fechadas nos
escritórios. Elas iriam ficar menos sociáveis, perderiam a capacidade
de se relacionar e isso seria uma espécie de prenúncio do ocaso da
sociedade. Nem de longe, esses pessimistas supunham que o ganho de
produtividade que os computadores trazem, poderia resultar em mais
tempo disponível para a convivência entre os seres humanos. Esses
"profetas do apocalipse" também não previam o surgimento da Internet e
o fato de que os computadores pudessem vir a servir como ferramenta de
comunicação (e, portanto, de convivência) entre as pessoas.
O correio-eletrônico, por exemplo, é hoje o serviço mais utilizado
na Internet. E o que se vê é que a rede vem servindo mais como elemento
catalisador para as relações humanas do que para os negócios. Para se
ter idéia, segundo a Pew Internet & American Life Project, 53% dos
internautas americanos enviaram mensagens eletrônicas de fim de ano.
Por outro lado, somente 24% usaram a rede para comprar os presentes de
Natal. Isso, claro, não quer dizer que o comércio-eletrônico seja um
fracasso. Estudos realizados pelo instituto PC Data Online revelam que
os gastos pela Internet com as compras de Natal nos EUA, por exemplo,
atingiram US$ 1,3 bilhão durante a semana de 27 de novembro a 3 de
dezembro último. E o volume de negócios está aumentando, pois este
estudo mostrou que no mesmo período do ano anterior o movimento foi de
"apenas" US$ 893 milhões.
Então, que a Internet tem servido muito mais para a comunicação
entre as pessoas do que para o 'e-commerce', não há dúvida. Mas como se
explica isso? A proliferação de correspondências eletrônicas, por sua
vez, é facilmente entendida quando lembramos da dificuldade que era
mandar uma carta antes da Internet. Por ouro lado, o risco de
relacionar-se pela Internet é pequeno, o que facilita o contato entre
pessoas desconhecidas entre si. Sobre esse assunto, Carlos Drummond de
Andrade dizia que "o medo esteriliza os abraços". Mas os
relacionamentos iniciados na rede, via de regra, são descompromissados,
pelo menos em seu princípio. Isso faz com que as salas de bate-papo
estejam constantemente cheias de pessoas ávidas por se relacionar,
incentivadas, também, por um eventual anonimato.
Assim sendo, os fatos comprovam que a rede pode servir como
antídoto para a solidão. Sem contar que muitos dos relacionamentos
nascidos na Internet acabam se concretizando no mundo físico. A
quantidade de pessoas que hoje são amigas e que se conheceram pela
Internet é enorme. Mas, o mais curioso é que atualmente existe um
grande número de crianças que são chamadas de "filhos da Internet",
visto que são frutos de relacionamentos iniciados na rede. Então, se
você está sozinho, lembre-se que na Internet pode encontrar pessoas que
eventualmente também estejam. Só não se esqueça da importância de usar
o relacionamento chamado virtual apenas para os primeiros contatos.
Depois, descobrindo afinidades, saia da frente do computador e marque
um encontro físico. É bem melhor!
*Cid Castello é analista, estudioso, consultor e trainer de Internet,
sendo ainda articulista, webwriter e palestrante de temas relacionados
à grande rede.
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