A Internet e a Solidão PDF Imprimir E-mail
Escrito por Cid Castello*   
Qua, 07 de Junho de 2006 18:25
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     Quando os computadores começaram a ficar populares, muitos vaticinaram que "aquelas máquinas" iriam fazer com que muitas pessoas se isolassem, deixando de conviver umas com as outras. A sociedade seria prejudicada pelo fato dessas pessoas poderem realizar uma série de tarefas no isolamento de seus lares ou fechadas nos escritórios. Elas iriam ficar menos sociáveis, perderiam a capacidade de se relacionar e isso seria uma espécie de prenúncio do ocaso da sociedade. Nem de longe, esses pessimistas supunham que o ganho de produtividade que os computadores trazem, poderia resultar em mais tempo disponível para a convivência entre os seres humanos. Esses "profetas do apocalipse" também não previam o surgimento da Internet e o fato de que os computadores pudessem vir a servir como ferramenta de comunicação (e, portanto, de convivência) entre as pessoas.
     O correio-eletrônico, por exemplo, é hoje o serviço mais utilizado na Internet. E o que se vê é que a rede vem servindo mais como elemento catalisador para as relações humanas do que para os negócios. Para se ter idéia, segundo a Pew Internet & American Life Project, 53% dos internautas americanos enviaram mensagens eletrônicas de fim de ano. Por outro lado, somente 24% usaram a rede para comprar os presentes de Natal. Isso, claro, não quer dizer que o comércio-eletrônico seja um fracasso. Estudos realizados pelo instituto PC Data Online revelam que os gastos pela Internet com as compras de Natal nos EUA, por exemplo, atingiram US$ 1,3 bilhão durante a semana de 27 de novembro a 3 de dezembro último. E o volume de negócios está aumentando, pois este estudo mostrou que no mesmo período do ano anterior o movimento foi de "apenas" US$ 893 milhões.

     Então, que a Internet tem servido muito mais para a comunicação entre as pessoas do que para o 'e-commerce', não há dúvida. Mas como se explica isso? A proliferação de correspondências eletrônicas, por sua vez, é facilmente entendida quando lembramos da dificuldade que era mandar uma carta antes da Internet. Por ouro lado, o risco de relacionar-se pela Internet é pequeno, o que facilita o contato entre pessoas desconhecidas entre si. Sobre esse assunto, Carlos Drummond de Andrade dizia que "o medo esteriliza os abraços". Mas os relacionamentos iniciados na rede, via de regra, são descompromissados, pelo menos em seu princípio. Isso faz com que as salas de bate-papo estejam constantemente cheias de pessoas ávidas por se relacionar, incentivadas, também, por um eventual anonimato.

     Assim sendo, os fatos comprovam que a rede pode servir como antídoto para a solidão. Sem contar que muitos dos relacionamentos nascidos na Internet acabam se concretizando no mundo físico. A quantidade de pessoas que hoje são amigas e que se conheceram pela Internet é enorme. Mas, o mais curioso é que atualmente existe um grande número de crianças que são chamadas de "filhos da Internet", visto que são frutos de relacionamentos iniciados na rede. Então, se você está sozinho, lembre-se que na Internet pode encontrar pessoas que eventualmente também estejam. Só não se esqueça da importância de usar o relacionamento chamado virtual apenas para os primeiros contatos. Depois, descobrindo afinidades, saia da frente do computador e marque um encontro físico. É bem melhor!

 

*Cid Castello é analista, estudioso, consultor e trainer de Internet, sendo ainda articulista, webwriter e palestrante de temas relacionados à grande rede.


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