Atualmente, podemos dividir o mundo em dois. Um, é o universo tridimensional em que vivemos, hoje denominado "mundo físico".
O outro é a grande novidade dos tempos modernos, um espaço intangível
que denominamos "mundo eletrônico". O mundo eletrônico é também chamado
erroneamente de virtual, como se não existisse e não fosse também real.
O que diferencia o mundo físico do eletrônico é a possibilidade de que
os elementos deste último sejam convertidos em informação digital,
podendo, assim, serem armazenados em computadores ou enviados pela
Internet. Músicas e textos, por exemplo, fazem parte do mundo
eletrônico, visto que os CDs e o papel são apenas meios para
armazená-los. Por outro lado, roupas e comida são alguns dos elementos
do mundo físico, já que não podem ser guardados em computadores ou
transmitidos pela Internet.
O que se observa é
que todos nós estamos cada vez menos dispostos a sofrer com os
incômodos da vida moderna, tais como o trânsito e o acúmulo de pessoas
que se materializa nas filas que temos que enfrentar cotidianamente.
Mais e mais, buscamos as facilidades do mundo eletrônico, quando, por
exemplo, preferimos acessar o 'home banking' a nos abalar até uma
agência bancária. O princípio do comércio-eletrônico se embasa
fortemente na crença de que os consumidores preferirão comprar em casa,
sentados confortavelmente diante de seus computadores a irem até as
lojas físicas. As estatísticas mostram que é apenas uma questão de
tempo e aculturação para que a maioria das pessoas comece a realizar
pela Internet uma série de atividades que antes exigiam deslocamento
físico. Vencidos alguns obstáculos, tais como a questão cultural e o
mito da insegurança, será como se o mundo eletrônico venha a se tornar
maior que o mundo físico.
Governos de alguns países já se deram conta da migração de muitos
elementos do ambiente físico para o mundo eletrônico. Com isso, vários
já estão se movimentando na direção para a qual os tempos modernos
apontam: os cidadãos também estão demandando que mais serviços
prestados pelo poder público estejam disponíveis pela Internet. Isso é
facilmente entendido quando percebemos que vários deles não deveriam
mais exigir que o cidadão deixasse o conforto de seu lar ou escritório.
Exemplos não faltam: consultas a bancos de dados, verificação de multas
de trânsito, emissão de certidões, remessa de formulários e até do
imposto de renda não exigem mais que uns cliques de mouse.
Lamentavelmente, porém, observamos que essa migração do mundo
físico para o eletrônico está ocorrendo muito mais lentamente do que
gostaríamos. Mas este é um processo contínuo, crescente e que nos
proporcionará cada vez mais aquele que é o elemento de maior valor para
o homem moderno: o tempo. Tempo para se divertir, produzir e ter mais
felicidade. A mesma felicidade que não vemos no semblante dos cidadãos
que amargam horas em filas intermináveis e inúteis. Filas que muitas
vezes poderiam nem existir se os mesmos serviços estivessem na
Internet. Assim, o mundo eletrônico pode servir para que vivamos melhor
no mundo físico, melhorando nossa qualidade de vida. Afinal, não é
justamente isso que todos queremos?
*Cid Castello é analista, estudioso, consultor e trainer de Internet,
sendo ainda articulista, webwriter e palestrante de temas relacionados
à grande rede.
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