Sabemos que a quase
totalidade dos clientes dos provedores de acesso hoje é composta de
novatos e que a falta de conhecimento desses usuários de Internet é um
dos pontos críticos desse negócio, pois demanda altos investimentos em
serviços de suporte, de atendimento de campo e ainda faz com que o
provedor tenha que conviver com significativo e constante grau de
insatisfação injustificada por parte dos clientes.
Com o
desconhecimento que os clientes tem a respeito da Internet, os
provedores de acesso enfrentam os seguintes problemas:
1. O cliente
solicita com muita frequência por um atendimento individualizado, seja
através do telefone, seja mediante a visita de um técnico que o atenda
em seu domicílio residencial ou profissional. Normalmente, a grande
maioria dessas solicitações não é sobre questões específicas de suporte,
mas podem ser classificadas como verdadeiras "aulas de Internet", o que
faz com que o tempo para o atendimento seja sempre superior ao
programado para atendimentos de suporte ao usuário;
2. Com isso,
torna-se necessário investir em um serviço de atendimento telefônico, de
preferência que atenda 24 horas por dia, 7 dias por semana. Esse serviço
tem um alto custo, especialmente no que diz respeito à manutenção de
equipes de atendimento, exigindo investimentos vultosos em treinamento e
na própria manutenção de pessoal especializado e que atua normalmente em
horários estendidos. Além disso, o atendimento telefônico exige uma
crescente quantidade de postos de atendimento, o que demanda
equipamentos, terminais telefônicos, pessoal especializado, etc. Dentro
da planilha de custos de um provedor, essa necessidade dos clientes e a
forma de atendê-la é um dos itens mais caros - até porque envolve gente,
insumo altamente dispendioso no país dos altíssimos encargos
empregatícios que é o nosso;
3. Por outro lado,
torna-se necessário também investir na manutenção de uma equipe
especializada no atendimento de campo, o que demanda altos investimentos
em transporte, treinamento e na própria manutenção de uma equipe
composta por uma quantidade de profissionais tal que consiga atender ao
volume crescente de solicitações que os clientes leigos fazem, no
sentido de receberem atendimento em seus locais de trabalho ou em suas
residências. E mais uma vez o custo de pessoal destaca-se na planilha de
custos dos provedores de acesso;
4. O cliente leigo
reclama com frequência de problemas que na maioria das vezes estão
relacionados com a falta de conhecimento que ele, usuário, tem. Isso faz
congestionar os serviços de atendimento telefônico e de atendimento de
campo, transformando as centrais de suporte em autênticas "centrais de
reclamação", desvirtuando sua verdadeira finalidade e, pior, exigindo
mais e mais investimentos para dar atender a demanda;
5. Por fim, não é
raro que após muitos problemas e reclamações, o cliente leigo abandone o
provedor, trocando-o pelo concorrente - onde irá, finalmente, descobrir
que os problemas que tivera no antigo provedor se mantém, justamente por
ser ele, o usuário leigo, a causa real dos problemas. E aí já é tarde,
pois o provedor perdeu o cliente para o concorrente e o retorno
dificilmente se dará - até por comodismo do cliente, que já trocou de
provedor e não se dispõe a retornar ao seu antigo prestador de serviços,
mesmo reconhecendo que não era ele (provedor) a fonte de seus problemas
anteriores;
6. Normalmente, o
novo provedor do cliente é beneficiado, pois ele chega com um pouco mais
de conhecimento do sistema e acaba trazendo menos problemas para o
segundo provedor do que aqueles que causou para o provedor original e
que deixou por conta do quadro que expusemos acima. Mesmo assim, sem
conhecimento, o cliente continua a gerar problemas e a demandar
investimentos.
E qual a solução
para esse cenário? Simples: investir em treinamento para os usuários de
Internet! Os provedores melhor administrados devem incluir em suas
preocupações o estabelecimento de sistemas de treinamento para seus
clientes, seja através de estruturas próprias, seja através de
terceirizações ou alianças estratégicas.
Cliente com
conhecimento sobre a Internet dificilmente liga para o suporte
telefônico e raramente solicita a visita de técnicos de campo.
Com isso, o provedor
necessita de menos investimentos em sistemas de apoio e pode carrear
recursos para os itens realmente fundamentais para a manutenção de um
bom sistema de acesso à Internet, a parte de tecnologia.
*Cid Castello é analista, estudioso, consultor e trainer de Internet,
sendo ainda articulista, webwriter e palestrante de temas relacionados
à grande rede.
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