Temos visto o grande alarde sobre a implantação de cidades digitais em municípios de grande importância econômica e/ou turística. Com isso atraindo o interesse de outros municípios, que desejam se juntar ao grupo das cidades digitais e oferecer Internet gratuita aos seus cidadãos.
A euforia é grande, pois é uma realização que dá muita visibilidade e o dinheiro provém do governo federal, que paga por quase 100% da “obra”. Em seu orçamento de 2009, disponibilizou R$ 4,1 bi para programas de desenvolvimento regional. Isso abrange não só as cidades digitais, mas uma série de projetos que visam a criação de uma infra-estrutura melhor para os municípios.
Esta verba fica distribuída entre os diversos ministérios e o município que desejar utilizá-la, só precisa de um projeto coerente, nada mais. Em 2008, somente 10% dos recursos destinados ao desenvolvimento regional foram utilizados, pela absurdo fato de falta de projeto.
O governo federal inclui agora nos serviços essenciais o acesso à tecnologia, proporcionando a tão afamada Inclusão Digital. As Infovias criadas nestas cidades, terão este fim, dar acesso à população à grande rede. Nada mais justo, pois há uma consciência atualmente de que acesso à tecnologia é serviço de utilidade pública, como água, luz, esgoto, vias, etc...
Penso que em alguns casos, o conceito de Cidade Digital está distorcido. Se uma “infovia” é uma utilidade pública como uma rua, por exemplo, não posso afirmar que uma rua é um município. Por menor que seja um município, há necessidade um número de serviços bem maior, tal qual a Cidade Digital.
Cidade Digital, além de uma boa infra-estrutura de acesso à Internet (Infovia), requer programas de treinamento para jovens e adultos, atualização de equipamentos em escolas e órgãos municipais. Portais de transparência na Internet para que o cidadão saiba onde e como seu dinheiro é gasto, pontos de acesso e treinamento gratuito, programas de financiamento de equipamentos, entre outras iniciativas. É ampliar a visão da pessoa do que há além do MSN e Orkut, mas com ações racionais e integradas.
Permitir que aliado ao arranjo produtivo local, profissionais das mais diversas áreas, participem de fóruns e seminários pela grande rede e formem suas próprias redes, trazendo novas técnicas, novas experiências.
É fornecer acesso, mas com a responsabilidade de ensinar a utilizar da melhor forma, para o crescimento da pessoa. Este crescimento é que traz a melhora na mão-de-obra e causa desenvolvimento regional.
A pergunta que me faço é se estas “infovias” serão como as rodovias esburacadas do país, que nos tornam reféns das empreiteiras ou em algum momento vão servir de ferramenta para capacitação da pessoa humana num grande plano chamado Cidade Digital?
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