Andando
sob o Sol, completamente relaxado, fiquei pensando em como vem
crescendo exponencialmente o número de livros de auto-ajuda
disponíveis no mercado e suas vendas vão de vento em
popa. Estes livros tentam mostrar, através de modelos, como
obteremos sucesso nos mais variados ambientes. Como poderemos
emagrecer, utilizarmos nossa inteligência emocional, crescermos
nos negócios e sermos ricos guardando uma quantia X a cada
mês.
Não
pense nisso como uma novidade recente, há muito tempo, bem
antes disso, já usávamos pessoas como modelo de
sucesso. Grandes esportistas, empresários, atores e uma
infinidade de ídolos que nos influenciam através de
seus atos e crenças, nos fazendo crer que isso dará um
rumo melhor a seguir para o nosso próprio sucesso.
De
fato, não há mal algum em desejar obter realização
pessoal e financeira através de modelos, mas convém
analisar o que motiva um esportista, por exemplo, a seguir uma
carreira e se tornar reconhecido como ídolo. Antes de qualquer
grande contrato, fama e dinheiro ele aceitou um desafio. Não
pense nisso como algo grande, o desafio de Karl Lewis era correr 100m
em menos de 11s. E no meio do caminho enfrentou dificuldades comuns a
todos nós. Falta de estímulo, patrocínios,
concorrência, o que se parece em muito com a vida de qualquer
pessoa.
Registre
o esforço pessoal que um atleta faz diariamente estudando,
praticando, tentando se superar. Mesmo depois que o sucesso vem, para
se manter no topo os desafios crescem e se tornam cada vez maiores.
Um atleta de corrida não se interessa apenas pela vitória,
ultrapassar outros atletas, mas quebrar recordes. Isso demonstra que
não há espaço para mediocridade e que fazer o
óbvio não lhe interessa, o desafio e ultrapassar seus
limites próprios.
É
pensando nisso que devemos acordar todos os dias. Como vamos
ultrapassar nossos limites hoje. Não pela empresa, não
pela concorrência, mas pelo sabor da vitória sobre si
mesmo. É consumar o esforço com a realização
pessoal, o prazer de ter se superado. Tem-se falado muito em inovar e
por muitas vezes deixamos de fazer o nosso “expertise” bem feito,
aquilo que nos é familiar passa a se tornar desmerecedor de
esforço e entramos numa loucura frenética de criação
em nome da inovação e os processos cotidianos passam a
ser menos importantes, pois não são novos.
Ainda
pensando como um atleta, ponha em perspectiva sua carreira e pense no
desafio de começar a partir de agora a bater seus recordes,
baixar o tempo de algumas tarefas, sentir o sabor da vitória
de ter se tornado melhor do que ontem. Você aceita este
desafio?
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